"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que ja tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa
A crise que a economia globalizada enfrenta é apenas uma, das diversas faces, do modelo de desenvolvimento que tem guiado a humanidade. A economia global, da forma que está organizada, viverá ciclos de crises, afetando de forma mais agressiva a vida dos mais pobres.
É um modelo que só encontra nas grandes corporações e governos delas reféns, ressonância, e que só eles recebem os bônus financeiros e sociais. Já os ônus são socializados com os países pobres: poluição, falta de saneamento, mortalidade infantil, redução da oferta de empregos, contaminação dos campos, exploração das reservas naturais, etc. A crise é, antes de tudo, de um modelo que coloca como mola propulsora da economia a necessidade constante de consumo, transformação bens duráveis, em objetos descartaveis, fazendo dos ciclos da moda, em ciclos do consumo, exigindo mais recursos naturais, deixando de lado toda e qualquer preocuopação com a agenda ambiental que, apesar de estar cotidianamente na mídia, ainda não se faz presente nas rotinas diárias de empresas, individuos e organizações em geral.
Quando atingimos estágios de inflexão na economia como o que estamos passando, muito se debate sobre o modelo, porém nada se modifica. Continuamos com a matriz econômica baseada no consumo sem limites de nossos recursos naturais ao invés de percebemos a oportunidade de alterar a rota e os modelos de consumo e desnvolvimento em um grande pacto mundial pela preservação da vida. Os esforços politicos contra a poluição, destruição de florestas e mudanças climaticas se provaram ineficientes. Em poucas semanas os governos mobilizaram um enorme resgaste do sistema bancario, enquanto a reação às questoes ambientais continua devagar. Entre 1981 e 2005, a economia global mais do que dobrou, mas 60% dos ecossistemas mundiais (como florestas e estoques pesqueiros) foram degradados ou super-utilizados.
No Brasil não estamos muito diferentes. Para manter esse mesmo modelo de desenvolvimento que já mostrou-se equivocado há, em muitos momentos, uma grande campanha contra procedimentos que garantam respeito ao meio ambiente, com o intuito de agilizar grandes obras de infraestrutura. É essencial entendermos a necessidade de respeito ao meio ambiente natural e a capacidade de reposição dos recursos. Mudar o modelo.
É a hora de um modelo baseado no respeito à vida no planeta. O "New Deal" Verde. Priorizar a abertura de postos de trabalho e financiamento em setores ambientalmente responsáveis como a produção de energias renováveis, bens duráveis e reciclagem. É disso que o Brasil e o mundo precisam.

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