sábado, 7 de julho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
Nota da UNE sobre golpe no Paraguai
A União Nacional dos Estudantes (UNE) condena o golpe ocorrido nesta sexta-feira, dia 22 de junho, no Paraguai, país vizinho que vem consolidando com o seu presidente, Fernando Lugo, um novo ciclo político de valorização do povo paraguaio, aprofundamento da democracia nesse pais e contribuindo na integração latino-americana.
A UNE denuncia um golpe branco para derrubar o primeiro presidente popular eleito após mais de seis décadas de uma sofrida historia paraguaia. Por mais de 60 anos, o povo paraguaio esteve nas mãos de uma única elite de um único partido.
As mudanças que começaram a ser engrenadas pelo presidente paraguaio, Fernando Lugo, buscando avançar, por exemplo, na reforma agrária, colocou novamente em alerta a elite que agora financia um golpe “relâmpago”.
A UNE –que em seus 75 anos de vida em defesa da democracia lutou contra o nazi-facismo, combateu com bravura uma ditadura militar no Brasil, colocou-se firme contra o neoliberalismo e outras tentativas de golpes de uma elite nacional– apoia a decisão da União das Nações Sul-Americnas (Unasul) e outros organismos internacionais que manifestaram que não concordam com a destituição e que não vão reconhecer outro presidente.
A UNE repudia a decisão do Congresso Paraguaio de destituir do cargo o presidente Lugo que vinha conduzindo um enfrentamento com os grandes proprietários de terras.
Não podemos nos esquecer que diante de um processo de início de revoluções democráticas na América Latina, países como Venezuela, Bolívia e Honduras sofreram tentativas de reverses parecidos com o que a gente vê no Paraguai, tendo as elites conservadoras como eixos sustentadores de golpes.
A UNE se indigna e se mostra preocupada com o impedimento à continuidade de governos progressistas em nosso continente. O importante agora é garantir a integridade física de Fernando Lugo e do povo paraguaio. Essa história que insiste em se repetir não passará!
União Nacional dos Estudantes22 de junho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
universidades federais em luta une convoca ato dia 26 em brasilia
Estudantes vão às ruas levar suas bandeiras de luta na greve das federais com a defesa de um PNE com 10% do PIB para educação
Iniciada no dia 17 de maio, a greve das federais talvez possa ser considerada uma das maiores paralisações em defesa da educação já realizadas no país. Até o momento, 58 das 59 instituições federais já aderiram e ainda não há previsão de término da paralisação. Estudantes de todo o país apoiam a luta dos docentes e dos técnico-administrativos e também levantam suas pautas em defesa de uma universidade pública e de qualidade.
A União Nacional dos Estudantes convocou para a próxima terça-feira, dia 26 de junho, um grande ato em Brasília, que fortalece a agenda de luta do movimento estudantil na greve. Os estudantes vão às ruas com bandeiras pela contratação imediata de mais professores, triplicação da verba do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAEs) e finalização imediata das obras de infra em andamento nas universidades.
O ato é um desdobramento do 60º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg) da UNE, encontro que reuniu durante os dias 15 a 17 de junho, no Rio de Janeiro, lideranças estudantis de todo o país. Estavam presentes representantes de 44 Diretórios Centrais de Estudantes (DCEs) de universidades federais e todo o país. Participaram do Coneg também lideranças da ANDES e da Fasubra, convidados que levaram aos estudantes o panorama atual da greve.
“Os estudantes sabem que a universidade não está oferecendo o necessário e a adesão deles torna essa greve uma luta da população por uma educação de qualidade”, comentou Sonia Rodrigues de Lima, secretária geral da ANDES, presente ao Coneg da UNE, sobre as reivindicações do movimento estudantil na greve.
A pauta da manifestação também abrange a luta pela aprovação de um Plano Nacional de Educação (PNE) com 10% do PIB e 50% do fundo social e dos royalties do Pré-sal para educação, além da regulamentação do ensino privado e ampliação do acesso às universidades.
NEGOCIAÇÕES COM O GOVERNO PARADAS. MOBILIZAÇÕES EM UNIVERSIDADE CONTINUAM
Estava marcada para o último dia 19/06 uma reunião entre as lideranças da greve com o MEC. O encontro foi desmarcado na véspera e ainda não houve sinalização do governo para uma nova data para discutir a greve.
Por todo o país, estudantes das federais estão se organizando para apoiar a greve dos professores e levantar suas bandeiras de luta. “Continuamos com uma agenda forte para a greve. Na última quarta-feira (20/06), realizamos uma grande passeata em São Bernardo”, afirmou a presidente do DCE da Universidade Federal do ABC (UFABC), Josiane de Oliveira.
“Essa é a maior greve que já realizamos, uma greve da educação pública. Estamos com uma agenda intensa de mobilizações para a próxima semana. Acreditamos que o governo entenderá a necessidade de negociar”, finalizou Sonia.
O quê: #marchadosestudantes em defesa da educação e das federais
Informações: facebook.com/unepelobrasil
twitter.com/uneoficial
Informações: facebook.com/unepelobrasil
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Da Redação da UNE
nota da une aprovada no coneg
PLANO DE QUALIDADE, EXPANSÃO E DEMOCRACIA DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS
Vivemos um momento de grande efervescência na juventude brasileira: estudantes de norte a sul do país se mobilizam para mudar a realidade do ensino superior por acreditarem que a universidade, seja pública ou particular, que temos hoje não cumpre com seu papel de produzir conhecimento voltado para o desenvolvimento da nação. É uma nova geração mais popular que chegou à universidade pelo PROUNI, ENEM, REUNI, cotas sociais e agora quer muito mais direitos!
Nas universidades federais, os estudantes somam-se aos professores e trabalhadores que entraram em greve, pois o governo federal não cumpriu o acordo firmado com as categorias de efetivar um plano de carreiras que valorizem a estes profissionais. Mas também lutam pelas pautas estudantis, por mais infraestrutura de salas de aula, laboratórios, bibliotecas, por mais assistência estudantil, com restaurantes universitários, moradias, aumento de bolsas e por mais qualidade com contratação de professores, investimento em pesquisa e extensão. Lutam no ano em que se encerra o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI, e agora questionam qual rumo à universidade pública vai tomar para seguir expandindo e popularizando o acesso à universidade com garantia de qualidade, já que no país inteiro ainda são 70% das obras inacabadas, por isso lutamos por mecanismos de fiscalização.
O desafio é conquistar uma universidade mais comprometida com os anseios do Brasil, para isso a unidade de todo o movimento educacional é fundamental.
Nas universidades privadas, estudantes se revoltam contra o aumento abusivo das mensalidades, pois na falta de legislação firme, se vêm largados à sorte diante aos desmandos das mantenedoras. Para piorar, não se vê os sucessivos aumentos mensalidades se refletirem em qualidade de ensino, o que se encontra são infraestruturas precárias, professores sem titulação, generalização de aulas à distância na modalidade presencial, pouca pesquisa e quase nenhuma extensão. É preciso denunciar que nada avançou na área da regulamentação do ensino privado no último período, pois o Ministério de Educação tem se esquivado de sua responsabilidade com o setor. A assistência estudantil nas particulares também é um grande problema, visto que sua relevância é crescente com a inclusão de estudantes carentes através do PROUNI, os custos de transporte, alimentação, material didático são extraordinários e mesmo com bolsa na mensalidade muitos estudantes acabam abandonando os estudos.
Essa é a realidade na universidade brasileira, e estudantes de todo o Brasil estão em luta para modificá-la. Em todas essas lutas, existe uma pauta em comum: a qualidade e a democratização da educação. Estes temas se tornam centrais, na medida em que a qualidade da universidade brasileira não condiz com os desafios do desenvolvimento social e humano do país e ainda não alcançamos uma universidade verdadeiramente democrática, persiste o problema de exclusão de grande parte da juventude a ter acesso à universidade, persiste a perseguição aos estudantes que lutam pelos seus direitos e seguimos tendo pouco espaço de decisão dos conselhos universitários e demais órgãos deliberativos.
Desta forma, exigimos respostas mais efetivas do governo federal, que precisa estar mais aberto à negociação com os estudantes, professores e técnico-administrativos, que só poderão ser efetivadas com o aumento do investimento em educação. Por isso se faz urgente aprovarmos o Plano Nacional de Educação que transforme a educação da creche à pós-graduação com 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para Educação.
É com a garra da juventude e a certeza de que podemos mudar a educação no Brasil, que a UNE apresenta essa pauta de reivindicações e convoca a todos os estudantes do Brasil, e todos os movimentos sociais a marcharem à Brasília no dia 27 de Junho de 2012 para exigir do MEC os nossos direitos.
PROPOMOS:
- PNE com 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para Educação, Ciência e Tecnologia;
- Contra os Cortes na Educação de 5 Bilhões na Educação dos últimos dois anos!
- Regulamentação do Ensino Privado: Não à Financeirização da Educação!
- Reforma Universitária da UNE
- Investimento de 1,5 bilhão em Assistência Estudantil no Orçamento de 2013;
- Equiparação da Bolsa PIBIC ao Salário Mínimo e Quadriplicar a Oferta de Bolsas PIBIC
- Construção de Equipamentos de Assistência Estudantil nas principais cidades do país para atender aos estudantes de instituições particulares e públicas: Casas do Estudante, Restaurantes Universitários e Creches Universitárias.
- Liberdade de organização e manifestação dentro das Universidades Públicas e Privadas, com garantia de espaço físico dentro das universidades para o funcionamento de CAs e DCEs.
- Duplicação das Bolsas do PROUNI com contrapartida de maior democracia, triplicando o número de Bolsas permanências para bolsistas do PROUNI e
- Fiscalização dos “cursinhos preparatórios” para ENADE.
- Conclusão de Todas as Obras Inacabadas do REUNI
- Contratação Imediata de 7 mil novos Professores e servidores técnico-administrativos nas Universidades Federais
- Equiparação das Bolsas Permanência ao Salário Mínimo
- Construção de Moradias e Restaurantes Universitários em todos os campi
- Triplicar o acervo bibliográfico e criação de bibliotecas nos campi onde não existam
- Construção de Laboratórios de Informática em Todos os Campi, com capacidade para atender a demanda do conjunto dos estudantes de cada campus;
- Paridade nas eleições para Reitoria e conselhos deliberativos, e orçamento participativo;
- Garantia de cotas raciais e reserva de vagas para estudantes de escolas públicas em todas universidades públicas.
domingo, 24 de junho de 2012
BRASIL + 10: NAS LUTAS ESTUDANTIS, A CERTEZA DE UM NOVO BRASIL!
BRASIL + 10: NAS LUTAS ESTUDANTIS, A CERTEZA DE UM NOVO BRASIL!
O povo é o maior patrimônio de nosso país e em benefício dele devem voltar-se todas as decisões políticas do Brasil. Povo novo, povo uno. Povo original, nascido da mestiçagem do ameríndio, do negro e do branco português. Povo generoso, que ao longo da história soube torna-se síntese de várias culturas, a ponto de fazer nascer uma nova imagem, uma nova cara, um novo jeito de estar e pertencer ao mundo. Povo forte e povo guerreiro, pois este processo não se deu de forma pacífica: foram incontáveis revoltas e batalhas, muito sangue de gente inocente derramado, luta e resistência até que nascesse, de fato, esta bela nação brasileira.
Para entender um pouco mais da complexidade desta gente, interferir e fortalecer as lutas de nosso povo, a União Nacional dos Estudantes, respaldada por seus 75 anos de história, se desafiou no último período a percorrer todos os cantos de nosso território em sua “Caravana UNE Brail + 10 – Educação, Desenvolvimento, Justiça Social e Ambiental.” Foram mais de 50 cidades e mais de 70 universidades públicas e particulares percorridas, na intenção de debater os desafios da nossa nação para os próximos dez anos. Mais de vinte mil estudantes envolvidos nos debates sobre os rumos de nossa educação e nosso país.
Em 2022, o Brasil completará 200 anos de sua independência oficial e cabe a nossa geração refletir: somos mesmo independentes? O que esperar dos próximos dez anos? Quais os desafios que estão dados para o povo brasileiro no próximo período? Quais os problemas, dificuldades e limitações que nos cabe superar?
Nas respostas, nascem novas dúvidas e questionamentos; nos questionamentos, novos sonhos e desafios para a gente brasileira.
O BRASIL DE 2022 SERÁ FRUTO DAS LUTAS PRESENTES
O Brasil vive um momento singular de sua história e tem ganhado destaque no cenário internacional - mas não por se curvar aos interesses dos poderosos, como outrora acontecia. Hoje o Brasil é reconhecido por sua capacidade de desenvolver-se e superar adversidades. E todo este potencial não pode ser desperdiçado: se é verdade que o mundo vive um grave período de crise econômica do capitalismo, é verdade também que o melhor remédio para superar a crise é investir na inteligência e força de nosso povo e no desenvolvimento do país.
Infelizmente, a atual política econômica do governo federal vai à contramão das medidas necessárias para o Brasil avançar. Em que pese a redução da taxa básica de juros no último ano, ainda temos um dos mais altos juros do mundo e uma política macroeconômica que, em muitos aspectos, ainda é ditada pela velha cartilha neoliberal. Como conseqüência, as decisões econômicas sofrem forte influência do capital financeiro, que vive de gerar dinheiro a partir de dinheiro, sem compromisso nenhum com o desenvolvimento e com a geração de emprego e renda para o nosso povo.
Não aceitamos calados esta ortodoxia econômica: seja nos manifestando lavando o Banco Central, seja tomando as ruas de todo o país, a UNE tem dado seu recado e dito em alto e bom som: Queremos menos juros e mais educação! Somos contra esta política econômica que compromete quase metade do orçamento do país para o pagamento de juros da dívida pública aos banqueiros sanguessugas que só sangram nossas riquezas! Somos contra os cortes de quase cinco bilhões no orçamento da educação nos últimos dois anos!
É uma irresponsabilidade do governo federal permitir que o Brasil sustente sua taxa de crescimento aos patamares que vivemos hoje. No primeiro trimestre de 2012, a economia
acendeu apenas 0.3%! Não queremos mais um ciclo de crescimento de “vôo de galinha”: o que queremos é impulsionar o crescimento econômico e que este crescimento se torne de fato desenvolvimento social e humano para o conjunto do povo brasileiro. Não adianta enriquecer sem distribuir renda e combater as desigualdades. É preciso garantir mais direitos para os trabalhadores e as trabalhadoras que constroem este país todos os dias.
Para avançar no nosso projeto de país, faz-se também fundamental a aprovação de reformas democráticas e populares que se relacionam com o projeto de desenvolvimento que queremos para o Brasil: reforma política, tributária, urbana, da comunicação, agrária. Em especial esta última, é inadmissível a profunda desigualdade que persiste no campo brasileiro. Na história do Brasil, nunca tivemos uma reforma agrária que possibilitasse sanar a lógica histórica da divisão fundiária brasileira, valorizando também os pequenos agricultores e a agricultura familiar. Passados quase duzentos anos de nossa independência, a estrutura fundiária brasileira permanece arcaica, concentradora de terras e socialmente excludente.
Se há concentração de grandes pedaços de terra na mão de poucos empresários, também é semelhante o cenário da mídia brasileira. A UNE, que tem sua história pautada na defesa intransigente da liberdade de expressão, não pode se esquivar de fortalecer a luta por um novo marco regulatório para a comunicação que possibilite que nossos veículos de informação de fato reflitam a pluralidade presente no povo brasileiro. Regulamentar não é censurar! Em respeito à liberdade de expressão, o que defendemos é oportunidade para que todos falem.
PRESERVAR O MEIO AMBIENTE, DESENVOLVER O BRASIL
Em meio ao 60ª Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE, acontece também a Rio+20, encontro de chefes de Estado para debater os desafios do desenvolvimento sustentável. Não permitiremos que este encontro seja mais um protocolo bonito de boas intenções assumidas pelos países - e esquecidas logo na seqüência. É preciso uma reflexão profunda sobre os problemas ambientais e garantia de compromisso conjunto para sua superação.
Entretanto, é preciso denunciar que aqueles que mais cobram políticas ambientais do Brasil, são justamente os mais responsáveis pela poluição e desmatamento no mundo. Para solucionar os problemas precisamos de “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, exigindo das nações mais desenvolvidas compromissos eficazes de preservação ambiental e respeito a soberania e ao direito dos demais países se desenvolverem, visto que as principais questões relacionadas ao meio ambiente no Brasil são diferente de outros lugares.
Enxergamos na Cúpula dos Povos um espaço de diálogo sobre os rumos do desenvolvimento sustentável, exercendo o papel de denúncia do “capitalismo verde”, afirmando que a solução não está no mercado e, sim, no Estado e na garantia direitos sociais, e formulando novas disputas para a preservação do meio ambiente com a diversidade dos movimentos feministas, de negras e negros, das comunicações, entre outros. Para avançar nas políticas ambientais, não podemos descolá-las dos demais desafios que o Brasil tem pela frente, nem tampouco isolar o homem da natureza. Nem o santuarismo irresponsável, nem o predativismo inconseqüênte: um mundo ambientalmente sustentável nascerá de decisões e políticas responsáveis que possibilitem preservar a natureza e combater a pobreza, permitindo o desenvolvimento humano de todos os povos.
NAS ELEIÇÕES DE 2012, OPORTUNIDADES DE NOVAS CONQUISTAS
Este ano o Brasil viverá mais um processo de eleições municipais. Não cremos que caiba à União Nacional dos Estudantes o simples debate de apoio ou rejeição a este ou aquele
candidato. O que queremos é a adesão do conjunto das candidaturas a uma plataforma de compromissos relacionados à melhoria da educação, da saúde, da infra-estrutura urbana.
Construir cidades mais humanas está na ordem do dia. Exigimos de nossos futuros representantes mais direitos para a juventude em todos os lugares do país. Para tanto, é necessário efetivar uma Reforma Urbana que proporcione um meio urbano saudável. Precisamos de uma política de transporte que tenha ênfase no transporte coletivo de qualidade. Combater a poluição do ar, da água, sonora e visual é dar a juventude o direito pleno à cidade. E, claro, uma política de habitação popular que assegure moradia para as camadas pobres da população e para os moradores de ares de risco.
E A EDUCAÇÃO, COMO É QUE TÁ?
O Brasil tem vivido nos últimos anos intensos debates sobre o novo Plano Nacional de Educação, em tramitação no Congresso Nacional. O novo PNE deve dar respostas ao graves problemas da educação brasileira, que permanece com uma taxa de analfabetismo ou analfabetismo funcional acima de 20% da população, pouco acesso à educação infantil, péssima qualidade da educação básica e pouca sintonia da universidade com os problemas do país.
Para garantir tais mudanças, é fundamental um investimento robusto em educação. Infelizmente, o PNE apresentado pelo Ministério da Educação ao Congresso Nacional não contempla a luta do movimento educacional brasileiro: destinava inicialmente apenas 7% do PIB para educação. A partir das lutas estudantis e do conjunto da sociedade, conquistamos uma nova proposta do governo que eleva o patamar de investimento para 8%. Entretanto, ele ainda é muito pouco diante das sérias dificuldades que vive nossa educação e demonstra uma postura irresponsável do governo com o rumo das políticas educacionais do Brasil. Para transformar a educação de verdade, exigimos 10% do PIB e 50% dos royalties e Fundo Social do Pre-sal para educação! Nenhum centavo a menos!
POR UMA NOVA REFORMA UNIVERSITÁRIA
Na universidade brasileira, ainda persistem profundas contradições e dificuldades. Precisamos ampliá-la, qualificá-la e garantir a regulamentação eficiente do setor privado, que hoje responde por mais de 70% das matrículas neste nível educacional. É fundamental alterar o caráter e o papel que a universidade cumpre na sociedade, para que esta se torne um espaço de construção de conhecimento e tecnologia à serviço do conjunto da população, através de uma metodologia que supere o modelo tradicional de ensino, com conteúdos voltados para a construção de uma consciência critica, fortalecendo a luta pela transformação.
RADICALIZAR O ACESSO À UNIVERSIDADE
O Brasil convive com uma vergonhosa marca: menos de 15% dos jovens de 18 a 24 anos acessam o ensino superior. Isso significa que o direito à um diploma universitário é negado à mais de 85% de nossa juventude, majoritariamente os filhos da classe trabalhadora. Precisamos refletir sobre o que isso representa em termos de atraso científico, tecnológico e social para o nosso país.
É tarefa primeira, portanto, radicalizar a ampliação de vagas nas universidades, processo que foi iniciado com programas como PROUNI e REUNI. Tais programas apresentam diversas limitações, mas não podemos subestimar o que representa para o nosso país permitir que milhões de novos jovens acessem a universidade. O fim dos vestibulares tradicionais também é
um grande desafio a ser superado e já demos passos à frente neste sentido com a criação do SISU e a adesão das universidades públicas ao ENEM. Nosso desafio é, portanto, fortalecer as políticas de acesso, garantindo expansão com qualidade ao ensino superior brasileiro.
Falar em democratização da universidade também passa por garantir igualdade de condições não somente no acesso, mas na vida cotidiana dos estudantes, que é bem representada pela ampliação dos recursos para a assistência estudantil e no combate as opressões. Somos contra toda forma de machismo, racismo, homofobia e lesbofobia por acreditar que uma sociedade mais justa não se constrói sem o combate às opressões que ainda permeiam nossas vidas. Lutar por direitos iguais para mulheres, negros e homossexuais representa reforçar a luta pela emancipação da humanidade, rumo a uma sociedade mais justa e fraterna.
Outro pilar importante da democratização das universidades perpassa pela democracia interna, nos espaços de poder. Paridade nos conselhos superiores, implementação do Orçamento Universitário participativo e eleições paritárias para as reitorias e departamentos são instrumentos importantes para que de fato o ensino superior seja construído por estudantes, professores, trabalhadores e a sociedade em geral, numa perspectiva democrática e popular. Vamos radicalizar a democracia nas universidades!
Exigimos:
- Expansão qualificada do sistema público de educação superior através de interiorização das universidades públicas que já existem e criação de novas em regiões estratégicas para o desenvolvimento nacional e regional, com especial atenção aos cursos noturnos;
- Ampliação do PROUNI, e que só possa se credenciar no programa universidades que possuam qualidade e gestão democrática, sem perder o foco de abertura de vagas prioritariamente no ensino superior público;
- Reserva de vagas para estudantes de escolas públicas e cotas raciais.
MELHORAR A QUALIDADE DO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO
A sociedade que nos cerca, esta é a função primeira da universidade. Todo o seu cotidiano deve estar voltado à compreensão de nosso país, contribuindo para a solução dos problemas que nosso povo vivencia. Para tanto, é fundamental ampliar maciçamente o investimento em pesquisa científica e extensão, valorizar os profissionais de educação e contratar novos onde há déficit de professores e servidores. Um projeto de desenvolvimento brasileiro exige uma universidade com outro patamar de qualidade. É preciso valorizar a graduação como um espaço de formação profissional qualificado e de iniciação científica voltada para a transformação do país. O conjunto das universidades brasileiras, sejam públicas ou privadas, apresentam um padrão de qualidade muito aquém do necessário para fazer avançar substancialmente a sociedade brasileira.
Exigimos:
- Garantia de autonomia didática, científica, pedagógica, de gestão financeira e administrativa;
- Integralidade entre ensino-pesquisa-extensão;
- Curricularização da extensão universitária em 25% da grade curricular;
- Estabelecimento de novos paradigmas e métodos de ensino, entendendo todos os segmentos da comunidade acadêmica como iguais contribuintes no processo de construção do conhecimento em aulas interativas e participativas;
- Investimento em bibliotecas universitárias, com ampliação de acervo, da capacidade, do horário de atendimento e da viabilização de novas técnicas de acesso à informação.
- Livre organização e manifestação estudantil nas universidades públicas e privadas: fim da perseguição aos estudantes do movimento estudantil;
- Garantia de qualidade no ensino à distância: contra a utilização destes recursos para o barateamento dos cursos quando tirar os estudantes das salas diminuir a qualidade.
UNIVERSIDADES PRIVADAS: MAIS RESPEITO AOS ESTUDANTES BRASILEIROS!
Se é verdade que a educação superior federal viveu alguns avanços nos últimos anos, não se pode dizer o mesmo do ensino superior privado. A realidade que temos hoje em nada se diferencia daquela de dez ou vinte anos atrás, no que se refere à qualidade dos cursos. Enquanto isso, o Ministério da Educação tem se eximido vergonhosamente de sua responsabilidade com este setor, não encaminhando ao Congresso Nacional um projeto de regulamentação sólida do ensino superior privado que permita que a educação não seja tratada como mero produto à disposição no mercado.
O problema se agrava quando consideramos a crescente participação de capital estrangeiro no ensino privado brasileiro. Muitas universidades estão sendo compradas por grandes grupos internacionais que, para ampliar a margem de lucro, tomam medidas que diminuem a qualidade das universidades. Exemplo simbólico deste fenômeno é a Universidade Anhaguera, de São Paulo, que recentemente demitiu mais de mil professores, em sua maioria mestres ou doutores, prejudicando a produção de pesquisa e extensão na instituição.
Como resposta à esta lamentável situação, os estudantes tem reagido em diversos lugares contra os abusos dos empresários de ensino. Tem sido assim na Uninove e na São Marcos, em São Paulo; na Universidade Gama Filho e Univercidade, no Rio de Janeiro, na qual os estudantes, liderados pela UEE/RJ e pela UNE, ocuparam a reitoria em defesa de mais qualidade; e em Minas Gerais, na PUC-MG, contra o aumento abusivo de mensalidade - além das lutas em diversos outros lugares. Este problema da mensalidade, aliás, é recorrente e tratado de forma meramente mercadológica e anti-democrática, exigindo medidas incisivas para combater a sede de lucro dos tubarões de ensino.
Exigimos:
- Criação de marcos regulatórios que dêem maior controle por parte do Estado sobre as instituições privadas;
- Combate incisivo à mercantilização e desnacionalização da educação! Restrição a participação de capital estrangeiro nas universidades privadas;
- Aprovação imediata do PL 6489/06, a Lei de Mensalidades da UNE, que regulamenta a cobrança de mensalidades – contra os aumentos abusivos!
- Assistência estudantil para estudantes bolsistas do PROUNI, com garantia de restaurantes universitários, moradias, creche e transporte;
- Enfrentamento ao preconceito racial e social e ao assédio moral a que são submetidos os estudantes bolsistas do PROUNI.
TODO APOIO À GREVE DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS!
As universidades federais brasileiras vivem um momento de grande efervescência. As greves dos professores e servidores técnico-administrativos e as mobilizações estudantis trazem possibilidade de conquistas concretas para o conjunto da comunidade acadêmica e, conseguintemente, para toda a sociedade.
O processo de expansão vivido pelas universidades federais nos últimos anos, fruto das lutas do povo brasileiro, possibilitou a duplicação de vagas nestas instituições, o que representa um grande avanço para a democratização do acesso à universidade. Hoje temos mais jovens das classes populares ingressando no ensino superior público e esta nova realidade trás consigo
novos desafios. É preciso, portanto, seguir na abertura de novas vagas nas IFES, com garantia de mais qualidade ao processo de expansão.
Ainda persiste como um desafio para as universidades federais superar plenamente os anos de sucateamento do governo FHC, que conduziu um processo de “privatização branca” responsável por rebaixar a qualidade destas instituições. Hoje, portanto, as lutas nas universidades voltam-se para o aprofundamento de conquistas no ambiente acadêmico. É preciso pisar no acelerador e ampliar os investimentos para que possamos dar um verdadeiro salto de qualidade na educação superior brasileira. Exigimos que o governo federal cumpra os compromissos firmados para a melhoria das instituições públicas.
Entendemos que o resultado da política econômica imposta ao país pelos banqueiros, com a conivência do governo, trouxe limitações ao processo de expansão da universidade, gerando obras paralisadas, filas nos restaurantes universitários, congelamento na contratação de professores e investimento incipiente em pesquisa e extensão. Cabe neste momento discutir à que projeto de país serve a universidade: a um projeto elitista que perpetue as contradições de nossa sociedade; ou uma instituição mais democrática e popular, com muito mais gente e com a qualidade assegurada para que ela volte seus olhos para os desafios do país.
Apoiamos a pauta dos professores e servidores, reconhecemos e nos incorporamos a mobilização dos estudantes, e consideramos que este deve ser um momento de unidade de todos os segmentos que compõem a universidade, para que possamos caminhar juntos rumo a conquistas para todos e a uma universidade pública, gratuita e de qualidade.
sábado, 23 de junho de 2012
simultaneo a RIO+20 coneg da une aprova documento “brasil10"
Rio+20, qualidade da universidade brasileira e apoio à Comissão da Verdade na USP e à campanha contra uso de agrotóxico também são temas de documentos aprovados
O mundo e o Brasil a ser construído nos próximos anos foi tema de debate durante toda a última semana, período na qual o Rio de Janeiro recebeu a Rio+20 e a Cúpula dos Povos, eventos que resultaram em dois documentos, “O Futuro que Nós Queremos” e “A Rio+20 que nós não queremos”, produzidos pelos chefes de estado e pela sociedade civil, respectivamente.
Também comprometida com o debate do futuro do país e do planeta, visando uma sociedade mais justa, humana e igualitária, a União Nacional dos Estudantes também produziu um importante documento, o “BRASIL + 10: NAS LUTAS ESTUDANTIS, A CERTEZA DE UM NOVO BRASIL!”, o resultado de uma profunda reflexão sobre o país que a juventude quer construir.
O documento é fruto, também, dos debates do 60º Coneg da UNE, encontro que aconteceu simultaneamente à Rio+20, no dias 15 a 17 de junho, e reuniu mais de 500 lideranças estudantis de todo o país, com a participação de cerca de 44 DCEs de universidades federais.
Além do “Brasil+10”, também foram aprovadas outras quatro resoluções, importantes documentos que nortearão as atividades do movimento estudantil no próximo período, “Rio+20 – Preservar o meio ambiente, desenvolver o Brasil”; sobre as universidades brasileiras, “Plano de qualidade, expansão e democracia das universidades brasileiras”; e duas moções, “Moção de apoio à Comissão da Verdade na USP” e “Moção de apoio à campanha contra uso de agrotóxicos”.
DOCUMENTO “BRASIL + 10: NAS LUTAS ESTUDANTIS, A CERTEZA DE UM NOVO BRASIL!”
Esse, principal documento aprovado pelo Coneg, foi construído a partir da Caravana UNE Brasil + 10 – Educação, Desenvolvimento, Justiça Social e Ambiental, quando os estudantes percorreram universidades de todo o país levantando o seguinte questionamento: “Que país a juventude quer construir para os próximos 10 anos?”. Ao todo, foram mais de vinte mil estudantes envolvidos nos debates sobre os rumos de nossa educação e nosso país.
O texto se debruça em torno da questão da educação no país. Em meio ao debate do Plano Nacional da Educação, a UNE entende que para garantir mudanças estruturantes, que possibilitem a criação de um país soberano e democrático, é fundamental um investimento robusto em educação, de 10% do PIB e 50% do fundo social e dos Royalties do Pré-sal.
No documento, estão discriminados cinco pontos fundamentais de luta para o movimento estudantil: realização de uma reforma universitária, melhoria do ensino superior brasileiro, regulamentação do ensino superior privado, radicalização do acesso às universidades e total apoio à greve das universidades federais.
DOCUMENTO RIO+ 20 – PRESERVAR O MEIO AMBIENTE, DESENVOLVER O BRASIL
No encontro, também foi aprovado um documento para a Rio+20. O texto ressalta a importância de travar um debate sério e realista relativo às políticas ambientais que possibilitem a adoção de responsabilidades comuns, porém diferenciadas no que se refere a estas questões. “… os países mais poluentes do mundo são também os mais desenvolvidos e com mais capacidade de contribuir para as soluções das questões ambientais. E os problemas ambientais que vive o Brasil são diferentes de muitas outras realidades...”, diz trecho do documento.
DOCUMENTO PLANO DE QUALIDADE, EXPANSÃO E DEMOCRACIA DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS
Estudantes de todo o Brasil estão em luta para modificar a universidade brasileira e há uma pauta em comum: a qualidade e a democratização da educação. Estes temas se tornam centrais, na medida em que a qualidade da universidade brasileira não condiz com os desafios do desenvolvimento social e humano do país e ainda não foi alcançada uma universidade verdadeiramente democrática, uma vez que persiste o problema de exclusão de grande parte da juventude.
O documento apresenta exigências dos estudantes em relação à universidade no país e também levanta as bandeiras de luta do movimento estudantil na greve das federais: “… respostas mais efetivas do governo federal, que precisa estar mais aberto à negociação com os estudantes, professores e técnico-administrativos, que só poderão ser efetivadas com o aumento do investimento em educação. Por isso se faz urgente aprovarmos o Plano Nacional de Educação que transforme a educação da creche à pós-graduação com 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para Educação”.
MOÇÕES DE APOIO CONTRA A CAMPANHA DE USO DE AGROTÓXICOS E DE APOIO À COMISSÃO DA VERDADE NA USP
Duas moções de apoio foram aprovadas, uma manifesta o apoio dos estudantes brasileiros à Comissão da Verdade da USP, que tem a intenção de investigar as graves violações de Direitos Humanos ocorridas na Universidade nos anos de 1964 a 1985 e seus desdobramentos, até os dias de hoje, além de promover o resgate da memória dos perseguidos do período.
A segunda traz o apoio dos estudantes à campanha Permanente Contra o Uso de Agrotóxicos e Pela Vida, lançada pela Via Campesina como enfrentamento direto à utilização de veneno na produção de alimentos, confrontando o modelo do agronegócio e abrindo o diálogo em defesa de outro modelo para o campo brasileiro.
“…Nós, estudantes brasileiros, entendemos essa pauta como fundamental para garantia da soberania alimentar de nossa nação, uma luta que tem força social, respaldada nos grandes movimentos sociais da América latina…”, diz a nota.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Glossário Jovem e ambiental
Socioambiental
Expressão que vem sendo cada vez mais usada, enfatiza a articulação entre as dimensões social e ambiental e aponta para a impossibilidade de separação na abordagem entre ambas. Não há social sem ambiental, nem ambiental sem social, ambos se complementam e se interagem mutuamente.
Temática / Agenda Ambiental
Trata-se de um campo que envolve uma série de áreas e temas que vão além do meio ambiente naturalizado e que pressupõe visão integradora. A área ambiental não é apenas
sinônimo de natureza, mas é muito mais do que isso. Envolve as dimensões social, econômica, cultural, política, ética, dentre outras, e cada vez mais é incorporada junto aos diferentes segmentos da sociedade (governos, empresas, ONGs, associações, mídia etc.). Essa área é enxergada sob diversas óticas, havendo inúmeras percepções por parte desses segmentos, muitas delas contraditórias e conflitantes.
Juventudes
Há diversas percepções sobre o termo juventude. Alguns confundem juventude com criança e adolescente, outros consideram que são jovens todos aqueles que se consideram como tal, e aí por diante. Utilizaremos aqui como referência a faixa etária de 15 a 29 anos que é a usada para a implementação de políticas públicas no Brasil. Repare que há muita diferença entre jovens com 15 ou 16 anos de jovens com 28 ou 29 anos, se é urbano ou rural: fases de vida distintas, percepções e concepções diferenciadas, disposição e energia de atuação variadas etc. Recentemente no Brasil tem-se enfatizado a utilização do termo no plural – juventudes – como forma de assumir que o termo é plural, que há inúmeros movimentos de juventude, com temas de interesse, estratégias de atuação e formas de organização diferentes entre si.
Política
É a prática do diálogo acerca de assuntos comuns tendo em vista o alcance de objetivos pela cooperação. Alguns dizem que política é a arte do possível, mas é importante perceber que falar de política é muito mais amplo do que falar de partidos políticos e de eleições. Passa por assumirmos que somos pessoas “não-neutras” no mundo e que nos posicionamos politicamente, de maneira clara ou sem perceber, o tempo todo. Fazemos isso quando escolhemos determinado produto como consumidores que somos; quando estamos envolvidos em ações de engajamento social e em muitas outras situações.
Jovem Educa Jovem
Assume-se claramente o papel protagônico dos jovens, como sujeitos sociais que atuam e intervêm no momento presente e não num futuro próximo como muitos argumentam. Assume-se, então, que o processo educacional pode e deve ser construído a partir das experiências dos próprios jovens, por meio de Comunidades de Aprendizagem. Esse conceito representa nada mais do que um determinado grupo de pessoas, no caso o próprio núcleo da JPV, assumindo-se enquanto uma comunidade que atua aprendendo e que aprende atuando, sem necessariamente depender de agentes externos para tutorar ou conduzir esse processo.
Jovem Escolhe Jovem
Demarca-se que são os próprios jovens os mais indicados para tomarem decisões relativas a processos de escolha, sem a interferência de indivíduos e/ou organizações do chamado mundo adulto. O princípio do Jovem Escolhe Jovem é um bom exemplo de exercício cotidiano do espírito protagônico, que coloca o jovem no centro da tomada de decisão, a qual é feita pelos próprios jovens e não por terceiros. Para esse princípio ser exercitado na prática, ele requer que os jovens experimentem, nas suas práticas, maturidade e capacidade de demonstração de que são capazes de realizar, de implementar, de agir, de construir, de fazer acontecer, de executar seus projetos de interesse.
Uma Geração Aprende com a Outra
Toda atuação social, e a causa à qual ela se remete, encontram-se dentro de um processo histórico. Quem embarca em algum engajamento em prol da vida, do planeta, da humanidade sempre está de alguma maneira dando continuidade a um processo acumulado ao longo de anos por diversas outras pessoas. Os novos participantes trazem sempre novas idéias, conhecimentos, percepções, que inovam esse processo; enquanto os antigos possuem um acúmulo de experiências que é fundamental, especialmente para que os que chegam não precisem reinventar a roda. Pensando assim, as diferentes gerações têm sempre algo a ensinar e a aprender, e esse diálogo é um aspecto fundamental para fortalecer os movimentos em prol do meio ambiente e quaisquer outras causas.
Políticas Públicas
Conjunto de decisões que orientam ações na esfera pública visando a determinado fim, tendo o Estado como agente executor. Com o desenvolvimento da Democracia, as políticas públicas tendem a ser compartilhadas em sua formulação e execução com atores da sociedade civil, tornando-as mais qualificadas e sustentáveis, sem eximir o Estado de sua responsabilidade.
Mobilizar
É convocar vontades para atuar na busca de um propósito comum, sob a interpretação e um sentido também compartilhados. Mobilizar, então, é, antes de tudo, um ato de liberdade. É também um ato de paixão e de precisão. Não se convoca para qualquer coisa vaga e não se faz de maneira isolada, mas sim compartilhada. Sendo assim, é também um ato de comunicação (Bernardo Toro).
terça-feira, 12 de junho de 2012
A universidade brasileira
A universidade é um local de formação profissional e cidadã com um compromisso social. Compreende-se este compromisso na responsabilidade desta em articular saberes e conhecimentos de forma a possibilitar o desenvolvimento de habilidades e competências, nas distintas áreas de atuação científica, cultural e profissional.
Assim, conservar o conhecimento já construído e implementá-lo em procedimentos de aprendizagem, responde ao caráter, em parte, técnico da formação universitária. O motivo desta parcialidade pode ser demonstrado na constatação de que a vivência universitária seja formalizada muitas vezes sem o caráter político e critico que proporciona a renovação de velhos saberes e a construção de uma nova pratica social. Desta modo, saber lidar com o que já existe nas produções científica, culturais e políticas a partir do contexto universitário é, em nosso entendimento, prioritário para articular as demandas atuais, a fim de produzir novas referencias para a vida nacional.
Nessa direção marcamos a necessidade de problematizar o desafio político da universidade, sua construção sócio histórica e econômica, esferas que a colocam numa perspectiva para além de ações tecnicista e voltada para o mercado de trabalho. É o tempo de complementar a formação ofertada pela universidade na direção de outros eixos dentro da pluralidade do homem: a saber, alicerçar a educação superior na emancipação intelectual de cada estudante com os demais contextos humanos.
A partir das contribuições do olhar sobre a singularidade e pluralidade de cada ser humano, viver a universidade possibilita a cada estudante universitário, em um certo momento, entender que a educação numa sala não deve seguir uma lógica de massificação de conteúdos, mas busca a construção processual nas relações entre os professores, os estudantes, toda a comunidade academica e a sociedade, para ponderar a atualidade. Saber utilizar a riqueza de experiências e as potencialidades de cada, pode vir a ser uma forma de implicá-los neste processo de compromisso social da universidade brasileira.
Um projeto de pais para o nosso Brasil tem que instituir uma reforma na Educação de base e superior como alicerces fundamentais para o desenvolvimento de nossa sociedade. Não podendo esperar que essa reforma comece no nível básico, onde o ciclo educacional se inicia, mas em todos os níveis de forma paralela.
Para reformar nossa universidade devemos estruturá-la de forma a percebe sua importância e necessidade nos dias atuais, tendo em vista que os estudantes que chegam a esse nível passam por um deficitário sistema de ensino fundamental e médio é necessário dar suporte por um modelo que se encaixe como de transição, enquanto os outros níveis não alcançar essas mudanças.
A educação tem como meta formar pessoas "capazes de compreender a sua realidade e organizar-se com seus pares para nela intervir, tendo recursos próprios capazes de corresponder aos embates e questões que lhes sejam propostas, num lúcido exercício de cidadania." (Ribeiro, 1995) Sendo, esse um alicerce possível para nortear a edificação da Universidade como implicada no desenvolvimento social.
Temos a Universidade como instituição social responsável pelo processo de reconstrução continua do conhecimento, dando condições de toda a população ter acesso ao saber historicamente produzido pelo homem. Sendo, mais do que um local de produção de conhecimento e divulgação cultural, mas um instrumento de transformação social. Permite que coexista "o pluralismo ideológico; a liberdade de pensamento; criticando instituições, instituídos e sistemas políticos".
Existe ainda a necessidade de articular a vida comunitária, a realidade local, no processo educacional, resgatando a cultura e suas manifestações, como o fazer cotidiano para dentro das "muralhas do saber" do ensino superior. Superando essas barreiras podemos conhecer em diferentes perspectivas a sociedade para poder construir saberes e ferramentas que venha a agregar melhorias na qualidade de vida da população, cumprindo a dimensão de responsabilidade social dessa instituição.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
em brasília UNE apoia marcha unificada de docentes em greve
Mais de oito mil participaram do ato em defesa do reajuste salarial dos professores
Mais um ato da mobilização dos professores das universidades federais, em greve desde o dia 17 de maio, na defesa do reajuste salarial para a categoria, levou 8 mil às ruas de Brasília na manhã de hoje (05), na Marcha Unificada dos Servidores Públicos Federais (SPF). Reforçando o apoio à causa, além de centenas de estudantes de todo o país, o presidente da UNE, Daniel Iliescu, e a vice-presidente da entidade, Clarissa da Cunha, estiveram presentes na marcha.
A UNE entende que a causa dos professores é justa e está intensificando as mobilizações dos estudantes de apoio à greve, além de, em defesa de uma universidade pública e de qualidade, levar ao movimento pautas específicas do ME, como a defesa de maiores investimentos na educação (10% do PIB e 50% dos Royalties e do fundo sociaal do pré-sal para educação). Leia carta aprovada durante a última reunião da diretoria executiva da entidade aqui.
Para Iliescu, o ato abriu um grande espaço de luta por direitos fundamentais para uma educação de qualidade. “Apoiar este movimento é somar forças para a real mudança do ensino superior, garantindo mais mentes e projetos a serviço do desenvolvimento econômico, social e humano do país. Esta causa é de todos, estudantes e trabalhadores de todo o Brasil”, ressaltou.
Vindas de todos os cantos do Brasil, caravanas com professores de todas as instituições federais de ensino em greve e centenas de estudantes da UFRJ, UniRio, UnB, UFSJ, UFV,UFT, UFSM, FURG, UFMT, UFPB integraream o ato. A concentração foi feita em frente à catedral de Brasília às 10h30 e os manifestantes marcharam até o Ministério do Planejamento. Após a marcha, foi realizada uma plenária ampliadados servidores, às 15h, na Esplanada, para votar a greve geral do funcionalismo federal, a partir de 11 de junho.
PROFESSORES EM GREVE
A greve dos professores das Instituições Federais de Ensino completou 18 dias nesta segunda-feira (4). Desde a deflagração da paralisação nacional por tempo indeterminado, em 17 de maio, docentes de 49 instituições já suspenderam as atividades. Veja a lista completa aqui.
O principal motivo da greve é que os governos dos estados envolvidos não cumpriram a Lei Federal que regulamenta o piso salarial dos professores. Além disso, os servidores vêm enfrentando a precarização das condições de trabalho e ataques aos direitos básicos, como a recente privatização da previdência, com a criação do Fundo de Pensão dos Servidores Públicos Federais (Funpresp).
Mariana Ortiz
site UNE
site UNE
Educação: um projeto de transformação do Brasil
O grande paradigma que vivemos na Educação nacional é a forma como ela tem sido tratada há decadas: deslocada de um verdadeiro projeto de Nação. Devemos contribuir na transformação verdadeira da Educação em um espaço de construção de corpos e mentes cidadãs. Uma Educação comprometida com o futuro do povo, com a qualidade de vida. Educação tem que ser pública. Entendida como setor estratégico.
Deve ser uma educação libertadora que respeite a diversidade da sociedade brasileira, garantindo os elementos regionais da cultura, pronpondo uma reflexisão sobre o espaço social do cidadão e das instituições.
As Universidades Públicas devem continuar com a implementação do REUNI, garantindo de forma clara como as obras e ampliaçoes vao ser garantidas e emplementadas. Garantir ensino, pesquisa e extensão popular. Levar e trazer conhecimento pro e do povo. Descartar a forma escolarizada e mercadológica que o ensino assumio, espelhando a logica do capital na formação do futuro nacional.
Nas Particulares a conversa é parecida, mas piora um pouco. Não se garante ensino de qualidade, imagine pesquisa e extensão. As mensalidades e infinidade de taxas escravizam estudantes e suas famílias que dificilmente conseguem negociar quando em situação financeira desfavorável. O PROUNI, de fato democratizou o acesso ao Ensino Superior, e proporcionou a entrada de milhares de jovens que difilmente conseguiriam ingressar na Universidade Pública e não podem pagar as mensalidades nas Particulares, porém é preciso garantir que as particulares tenham programas sólidos de pesquisa e extensão e de permanência estudantil.
Tres questoes se apresentam hoje como necessarias para que seja garantida a melhoria da educação no nosso pais. Qualidade, permanencia e crescimento. Precisamos garantir a melhoria das universidade comprometidas com um projeto de pais soberano ; criar mecanismos que permitam que depois de ter o acesso a educação superior o estudante possa permanecer dentro da instituição (residencias, restaurantes universitarios, passe livre, mobilidade urbana, bolsa de pesquisa, bolsa auxilio, bibliotecas, laboratorios, etc) e no embojo do debate do Plano Nacional de Educação - PNE, pensar que a educação deve ser universalizada, garantida para todos que concluem o ensino medio e ter a qualidade e estrutura necessaria.
domingo, 10 de junho de 2012
diretoria da une reforça agenda de mobilizações na greve das federais
Por uma reforma universitária mais democrática, estudantes convocam mobilizações para intensificar bandeiras da greve
Durante a noite de ontem, 31, a diretoria executiva da União Nacional dos Estudantes se reuniu na sede da entidade, em São Paulo, para debater encaminhamentos relativos ao importante momento que vive a educação e o país, com a iminência de aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) e a greve dos docentes das instituições federais ganhando cada vez mais visibilidade e adesão.
Nesse cenário, o principal ponto debatido foi a participação estudantil na greve com a defesa de uma reforma universitária democrática e das bandeiras de luta do movimento estudantil . “É um momento histórico. Momento de levar essa pauta a todos os estudantes do Brasil. Aprovamos uma resolução também histórica, que reflete os anseios de muitas gerações na luta por uma educação pública e de qualidade, e que deve ser debatida e discutida em todas as salas de aula do país”, afirmou o presidente da entidade, Daniel Iliescu.
>> Leia o documento aquidiretoria-da-une-reforca-agenda-de-mobilizacoes-na-greve-das-federais
Além disso, foram definidos cinco encaminhamentos: a) a ampla participação no 60° Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG) da UNE; b) a constituição de um Comando Nacional de Luta Estudantil; c) a participação no ato dos professores e servidores do dia 5 de Junho, em Brasília, em defesa das greves e mobilizações das universidades federais; d) a manutenção do dia 11 de Junho como “Dia Nacional da Luta pela Educação de Qualidade”; e) as mobilizações no dia 12 e 13 de Junho pela aprovação de um PNE democrático que garanta 10% do PIB e 50% dos royalties do petroléo e do fundo social do Pré-sal para a educação.
Declarada no dia 17, a paralisação já chegou a 47 das 59 instituições federais de ensino superior do país. Além disso, há forte indicativo de que os servidores técnico-administrativos das instituições federais também iniciarão greve no próximo dia 11 de junho. A UNE entende que a causa levantada pelos docentes e funcionários técnico-administrativos é justa e fundamental para a construção de uma educação pública e de qualidade e por isso apoia a greve.
Dessa forma, além da principal bandeira nacional do movimento estudantil, a destinação de 10% do PIB e 50% do fundo social e dos Royalties do Pré-sal para educação, foram definidos outros três pontos prioritários de reivindicação dos estudantes. Em primeiro lugar, a triplicação das verbas que o governo, por meio do PNAES, destina à assistência estudantil. Atualmente são investidos anualmente R$ 500 milhões, a UNE entende que garantir a permanência dos estudantes nas universidades é fundamental e por isso propõe um reajuste que aumente a verba para R$ 1,5 bilhões.
Além disso, a entidade entende que é, também, urgente a contratação de mais professores e servidores técnico-administrativos para cada instituição, bem como a implantação de um plano emergencial para conclusão das obras de infraestrutura que estão paradas nas universidades. Por fim, para obter uma gestão democrática, a pauta inclui a paridade nas eleições das reitorias e órgãos de decisão da universidade, garantida por lei.
“A reunião possibilitou um espaço amplo e democrático de debate sobre as mobilizações nas federais, que no nosso ponto de vista são históricas e uma grande oportunidade para garantir fundamentais conquistas para os estudantes”, avaliou a diretora de Comunicação da UNE, Virgínia Barros.
O principal ponto de discussão foi a greve dos professores das universidades federais, mas outros três importantes pontos foram também colocados em pauta. O diretor da UNE e secretário-executivo da OCLAE, Matheus Fiorentini, apresentou a agenda da entidade durante a Rio+20.
Também pauta da reunião foi discutido o 60º CONEG da UNE, que acontecerá no mesmo período da conferência, entre os dias 15 a 17, no Rio de Janeiro, e cujo principal objetivo será a mobilização e o diálogo sobre a greve nas federais.
Por fim, a diretora de cultura da UNE, Maria das Neves, apresentou a proposta, posteriormente aprovada, do tema e local da 8ª Bienal da UNE, que acontecerá em janeiro de 2013 em Recife e Olinda e trará como tema a história e a cultura do povo sertanejo e a comemoração do 100º aniversário de Luiz Gonzaga, grande homenageado do festival.
Camila Hungria
Fotos: Micael Hocherman
Fotos: Micael Hocherman
CRISE? HÁ DECADAS ELA ESTÁ AÍ!
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que ja tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa
A crise que a economia globalizada enfrenta é apenas uma, das diversas faces, do modelo de desenvolvimento que tem guiado a humanidade. A economia global, da forma que está organizada, viverá ciclos de crises, afetando de forma mais agressiva a vida dos mais pobres.
É um modelo que só encontra nas grandes corporações e governos delas reféns, ressonância, e que só eles recebem os bônus financeiros e sociais. Já os ônus são socializados com os países pobres: poluição, falta de saneamento, mortalidade infantil, redução da oferta de empregos, contaminação dos campos, exploração das reservas naturais, etc. A crise é, antes de tudo, de um modelo que coloca como mola propulsora da economia a necessidade constante de consumo, transformação bens duráveis, em objetos descartaveis, fazendo dos ciclos da moda, em ciclos do consumo, exigindo mais recursos naturais, deixando de lado toda e qualquer preocuopação com a agenda ambiental que, apesar de estar cotidianamente na mídia, ainda não se faz presente nas rotinas diárias de empresas, individuos e organizações em geral.
Quando atingimos estágios de inflexão na economia como o que estamos passando, muito se debate sobre o modelo, porém nada se modifica. Continuamos com a matriz econômica baseada no consumo sem limites de nossos recursos naturais ao invés de percebemos a oportunidade de alterar a rota e os modelos de consumo e desnvolvimento em um grande pacto mundial pela preservação da vida. Os esforços politicos contra a poluição, destruição de florestas e mudanças climaticas se provaram ineficientes. Em poucas semanas os governos mobilizaram um enorme resgaste do sistema bancario, enquanto a reação às questoes ambientais continua devagar. Entre 1981 e 2005, a economia global mais do que dobrou, mas 60% dos ecossistemas mundiais (como florestas e estoques pesqueiros) foram degradados ou super-utilizados.
No Brasil não estamos muito diferentes. Para manter esse mesmo modelo de desenvolvimento que já mostrou-se equivocado há, em muitos momentos, uma grande campanha contra procedimentos que garantam respeito ao meio ambiente, com o intuito de agilizar grandes obras de infraestrutura. É essencial entendermos a necessidade de respeito ao meio ambiente natural e a capacidade de reposição dos recursos. Mudar o modelo.
É a hora de um modelo baseado no respeito à vida no planeta. O "New Deal" Verde. Priorizar a abertura de postos de trabalho e financiamento em setores ambientalmente responsáveis como a produção de energias renováveis, bens duráveis e reciclagem. É disso que o Brasil e o mundo precisam.
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